PM usa força na reintegração de posse do Cais José Estelita e entidades manifestam repúdio - TV Pernambuco

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PM usa força na reintegração de posse do Cais José Estelita e entidades manifestam repúdio

Foi iniciada às 5h15 da manhã desta terça-feira, 17, a ação de reintegração de posse do Cais José Estelita. Após conflito entre ocupantes e as forças de polícia militar, quatro pessoas foram detidas e várias ficaram feridas. Ao final da manhã, funcionários do Consórcio para fechar as entradas e acesso ao terreno. Manifestantes se concentram na área externa para decidir em assembleia a continuidade do movimento.

Segundo informações da Secretaria de Defesa Social, foi tentada a desocupação pacífica com a presença de uma oficial de justiça de posse do mandado judicial que determinou a reintegração, mas às 6h17 foi iniciada a ação com uso progressivo de força policial, bombas de efeito moral, balas de borracha e spray de pimenta.

reintegração

Policiais em confronto com ocupantes durante reintegração de posse do Cais José Estelita
Fotos: Direitos Urbanos

Segundo integrantes do movimento #OcupeEstelita, a ação policial  fere um acordo firmado com a Secretaria de Defesa Social que estabelecia um aviso prévio de 48h para uma possível reintegração. Segundo a SDS, a reunião teve como objetivo apenas apresentar o procedimento de desocupação, não havendo sido firmado qualquer acordo. A Secretaria informou ainda que a ação seguiu o procedimento padrão.

O Ministério Público Federal repudiou a ação de reintegração, cumprida “de forma arbitrária e com medidas típicas de cumprimento de ordens contra criminosos, sem conhecimento prévio do Ministério Público e dos representantes do movimento de ocupação”. O MPF reiterou “a defesa do direito de manifestação popular pacífica, bem como do cumprimento dos acordos firmados entre órgãos públicos, representantes da sociedade civil e do setor privado”.

A Universidade Federal de Pernambuco também repudiou a ação violenta, e declarou “estranheza e indignação pelo ocorrido, que desrespeita frontalmente o acordo envolvendo diversas instituições, a Prefeitura do Recife e os empreendedores”. A universidade, que também vinha participando das rodadas de negociação “registra sua preocupação quanto ao futuro das negociações iniciadas, que tinham como objetivo a defesa de uma cidade melhor, mais humana e mais inclusiva”.

A reintegração acontece um dia após a Prefeitura do Recife apresentar uma proposta de encaminhamentos para guiar a negociação e o redesenho do projeto de requalificação da área. Assinada por diversas entidades que participam da mesa de mediação, a proposta foi encaminhada ao Consórcio Novo Recife, ao movimento #OcupeEstelita e aos Minsitérios Públicos Estadual e Federal.

O Cais José Estelita estava ocupada por manifestantes desde o dia 21 de maio, após o início da demolição dos galpões históricos na área. A demolição fazia parte da primeira etapa do projeto Novo Recife, comandado pelas empresas Queiroz Galvão, Moura Dubeux, GL Empreendimentos e Ara Empreendimentos, que previa a construção de 12 torres de 40 andares no terreno. Uma rodada de negociações vem sendo comandada pela PCR com o intuito de reavaliar o projeto. A Prefeitura informou por meio de nota que a licença de demolição permanece suspensa.