#OcupeEstelita resiste do lado de fora e denuncia ilegalidade e violência em reintegração - TV Pernambuco

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#OcupeEstelita resiste do lado de fora e denuncia ilegalidade e violência em reintegração

Em coletiva à imprensa realizada na tarde desta quarta-feira, 18, integrantes do movimento #OcupeEstelita denunciaram os atos de violência sofridos durante a ação de reintegração de posse do Cais José Estelita, cumprida ontem com uso de força policial. Além da manifestação pública, o movimento sinalizou que irá fazer uma representação junto ao Conselho Nacional de Justiça para que sejam esclarecidas as circunstâncias que envolvem a ação e a decisão judicial, consideradas atípicas e ilegais pelo corpo jurídico do movimento.

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A advogada Liana Cirne caracterizou a ação com repressão política ao movimento.

“A decisão judicial tinha um limite territorial claro, e esse limite territorial era o limite da propriedade do Consórcio Novo Recife, entretanto, os ativistas encontravam-se na área dos trilhos, fora da área da propriedade do Consórcio”, informou Liana, que caracterizou a reintegração, com uso da força, como uma ação de repressão política ao movimento, pela violência e pela brutalidade utilizadas.

Os integrantes do movimento apresentaram cápsulas de balas de borracha e frascos de spray de pimenta, denunciaram também o excesso de violência utilizada pela força policial. A advogada afirmou que foi impedida de entrar no terreno durante a ação da PM para iniciar a uma retirada voluntária e pacífica e que “os ativistas não tiveram acesso à saída e ficaram encurralados dentro da ocupação”.

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Integrantes do movimento apresentaram cápsulas de balas de borracha e frascos de spray de pimenta usados na ação policial

Segundo o movimento, seis pessoas foram detidas, das quais cinco já foram liberadas. Apenas um manifestante, morador do bairro do Coque, permanece preso e foi encmainhado ao Centro de Observação e Triagem Prof. Everardo Luna – COTEL, em Abreu e Lima. Cerca de 35 pessoas realizaram exames de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal de Pernambuco, com ferimentos decorrentes do uso de gás lacrimogênio, bombas de efeito moral, balas de borracha e chicotes.

O Ministério Público de Pernambuco realizou 19 atendimentos relativos ao uso de força excessiva por parte da Polícia e designou dois promotores de Justiça, com atuação nas áreas criminal e de cidadania, para apurar as responsabilidades cíveis e criminais. O MPPE declarou em nota oficial que a”dotará as providências legais dentro de sua competência institucional de defesa da liberdade de expressão, da ordem jurídica e do Estado Democrático de Direito”.

Do lado de fora, em novo acampamento montado sob o Viaduto Capitão Temudo, no Cabanga, a ocupação permanece por tempo indeterminado, alerta à presença de funcionários do Consórcio e de um trator, que se encontravam dentro do terreno, protegidos por duas viaturas policiais.

Funcionários do Consórcio Novo Recife reconstroem  perímetro do terreno com tapumes

Funcionários do Consórcio Novo Recife reconstroem perímetro do terreno com tapumes

O Consórcio Novo Recife, formado pelas empreiteiras Moura Dubeux, Queiroz Galvão, Ara e GL Empreendimentos, informou por meio de sua assessoria de imprensa que respeita a determinação legal de não demolir nem construir no terreno e que a atuação dos seus funcionários tem sido na reconstrução do perímetro do imóvel, o que não seria proibido por decisão judicial, nem administrativa.

Até o fechamento desta matéria, a Polícia Militar de Pernambuco, contatada pela equipe, não se pronunciou em relação às denúncias realizadas pelos ativistas.