Discriminação e enfrentamento à violência contra pessoas trans são tema no programa Conversa com Rosseann Kennedy - TV Pernambuco

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Discriminação e enfrentamento à violência contra pessoas trans são tema no programa Conversa com Rosseann Kennedy

Roseann Kennedy conversa com Taya Carneiro, por Divulgação – Fonte: TV Brasil

Nesta segunda (02/10) a TV Brasil exibe às 21h30 o programa Conversa com Rossean Kennedy, retransmitido pela TVPE no canal 28.1. E no episódio de hoje a conversa será a respeito da discriminação e do enfrentamento à violência, com a travesti Taya Carneiro.  O trabalho é uma das principais bandeiras de Taya, presidente da União Libertária de Travestis e Mulheres Transexuais no Distrito Federal. Ela tem 24 anos, é mestranda em Comunicação e foi a representante brasileira convidada a participar do evento oficial da ONU para o Dia Internacional da Juventude, em agosto, em Nova Iorque. A jovem, que já ajudou a criar dois coletivos para promover a busca por direitos e combate à discriminação, fez um alerta sobre a violência sofrida pela juventude LGBTI no Brasil e no mundo.

Ela explica que a psiquiatria e a psicologia classificaram as sexualidades e as identidades sexuais de gênero que não eram tradicionais como doenças. Atribuíram a elas o sufixo “ISMO”. Desta forma, expressões como “homossexualismo” e “transexualismo” dariam a ideia de que seriam doenças. “Por isso se fala transexualidade e homossexualidade, para tirar esse estigma”. Para Taya os códigos do CID – principal manual de diagnóstico usado como base para qualquer procedimento médico – também reforçam preconceitos. Termos como homossexualismo, travestismo bivalente, travestismo fetichista, transtorno de identidade sexual na infância são classificações estigmatizantes.

Vinda da periferia de Brasília, Taya relembra que enfrentou agressões desde criança, porque apresentava um jeito feminino. “Eu apanhava bastante na escola”, relata. Mas conta que só se identificou como trans na universidade.

 

Taya Carneiro, por Divulgação – Fonte: TV Brasil

“Quando me assumi eu consegui criar estratégias para evitar contato com pessoas que eu soubesse que poderiam me agredir”.

Para ela, encarar o mundo como transexual é muito difícil, um ato que ainda exige muita coragem. “No momento em que você se assume transexual, você diz: ‘Agora, eu vou brigar com o mundo inteiro’”. Nessa trajetória, Taya contou com uma aliada importante:“Minha mãe sempre me defendeu, porque, se eu não tivesse apoio, eu não estaria tão bem como eu estou hoje. Eu provavelmente estaria na rua como as outras”.

Taya acredita que a aceitação da família é um passo importante para mudar essa realidade de discriminação e preconceito. “A família te ajuda a brigar com a escola, a família te ajuda a brigar com o mercado de trabalho, a família vira uma guerreira do seu lado. A família também tem que transexualizar”, avalia.

Com tristeza, ela analisa os resultados da intolerância aos LGBTs no país. “Infelizmente, a gente tem mais números de assassinatos do que o próprio Oriente Médio”. E lamenta: “A gente está na liderança de assassinatos das pessoas trans do mundo inteiro”. Para Taya, a violência estrutural do país tem origem na cultura do brasileiro. “Como as pessoas ainda têm uma cultura muito homofóbica e transfóbica, elas veem uma pessoa trans e já se sentem no direito de assassiná-la, porque ela já está errada só por ser trans”.

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