Cinema para etudantes de escola pública - TV Pernambuco

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Cinema para etudantes de escola pública

Por Ana Cláudia Vasconcelos

O passeio em si já foi uma grande aventura cine-educadora! Imagine, cerca de 50 alunos mais dois professores da Escola Estadual Nossa Escola – que fica localizada em Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife – todo mundo chegando mais bonito e mais cheiroso pra poder pegar o ônibus e ver seis curtas metragens sobre O Imaginário Popular da cultura brasileira, no Cineclube Curta Doze e Meia. A aula de educação patrimonial já começou no ônibus, pois os filmes são exibidos no Centro Cultural dos Correios, bairro do Recife Antigo, onde a cidade se originou. Da janela já se vê o Museu da Cidade do Recife, O Cais do Porto, O Marco Zero e muitos outros monumentos históricos.

Chegamos por volta das 14h30 em frente ao Centro Cultural Correios e logo todo mundo estava sentado assistindo o primeiro curta de animação que abria a sessão, o Historietas Assombradas (Para Crianças Malcriadas), um vídeo de Victor-Hugo Borges (SP), 15 min, produzido em 2005. Aquela era a primeira exibição do Curta Doze e Meia para uma escola pública. “O cinema na escola é sempre uma vivência muito inspiradora. Estas mesmas crianças já conhecem bem a experiência, pois vêem sendo trabalhadas há mais de dois anos, através das sessões cineclubistas do Cine Califórnia Itinerante nas Escolas, outro cineclube que coordeno”, declara Ruth Pinho idealizadora dos dois cineclubes.

Logo seguiram exibições de histórias do folclore brasileiro e lendas pernambucanas realizadas em animação e documentários, como foi o caso de A perna cabiluda (19 min), de Beto Normal e Marcelo Gomes, produzido em 1997. Na hora do debate a professora Luciana falou: “quando eu era pequena ouvia toda semana uma história da perna cabiluda. Estudava na Escola Maria Auxiliadora, no Centro do Recife, e lá a gente também sabia das histórias de Biu dos Olhos Verdes, do chupa cabra e de tantos outros personagens da cultura popular. Dava medo e ao mesmo tempo era gostoso”, comentava empolgada a professora.

Os filmes de animação que mais empolgaram a platéia de estudantes foram: Alma Carioca – Um Choro de Menino (5min), de William Côgo (RJ), que retrata a história de um menino que vive na zona portuária do Rio de Janeiro na década de 20 e testemunha o surgimento do Choro, quando encontra os grandes mestres pioneiros desse estilo puramente carioca. As palmas sonoras e presentes demonstraram a identidade dos meninos com o filme, pois ele narra a oportunidade da troca de conhecimento dos novos talentos com os grandes mestres da música. E Pajerama (9min), produzida em 2008, por realizadores de São Paulo, cuja história do índio que é pego numa torrente de experiências estranhas ao descobrir o resultado do desenvolvimento econômico e do progresso na sua caminhada de contemplação da natureza, prende a atenção de todo mundo, como foi o caso do estudante Hugo Henrique (13) que perguntou durante a exibição: onde ele caiu? E o amigo respondeu baixinho:-no esgoto, coitado! “Este filme é muito significativo, pois mostra em detalhes contrastes da cultura indígena e da vida urbana”, destaca Amanda Ramos, cineclubista do Curta Doze e Meia.

A troca foi muito rica e o debate caloroso e participativo! Para finalizar, os alunos da Nossa Escola foram convidados para conhecer as várias exposições de arte que o Espaço Cultural dos Correio abriga em suas salas. O lanche foi servido no caminho de volta, com muita pipoca e pirulito de morango.

Cinema do Imaginário Brasileiro para os estudantes da escola pública. Foto: Amanda Ramo

Cinema do Imaginário Brasileiro para os estudantes da escola pública. Foto: Amanda Ramo