[Jornal do Commercio] Show de bola na Sala da Justiça - TV Pernambuco

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[Jornal do Commercio] Show de bola na Sala da Justiça

Academia da Berlinda, Loucomotivos, Monobloco e a DJ Catarina Dee Jah animam a prévia dos super-heróis em clima de pelada musical

Marina Andrade
Publicado em 28.02.2011
Um arrastão de frevo comandado pelos clarins e trombones da Orquestra do Homem da Meia Noite colocou os primeiros foliões no clima da prévia do Enquanto Isso na Sala da Justiça, no último sábado. Nessa hora, a maior parte do público ainda lançava mão de super-poderes para chegar ao Centro de Convenções, já que esperar por um táxi de uma das companhias da cidade era tarefa árdua. Mas nem mesmo a preparação da estrutura para o Olinda Beer, bem ao lado da entrada do pavilhão, parecia atrapalhar a animação do público.

Desfilar a fantasia para lá e para cá era parte da diversão de quem foi à festa. Como era de se esperar, o filme do momento, Cisne negro, estrelado por Natalie Portman, inspirou diversas produções. Uma das mais sofisticadas foi a da graduada em moda Carol de Sá, que investiu na roupa de bailarina, carregou na maquiagem e não se incomodou em cruzar com outros modelitos na festa.

A ficção científica que movimentou as salas de cinema no ano passado, Tron: o legado, também serviu de mote para o casal Camila Pereira e Marcelo Mulatinho. Os dois não passavam despercebidos pelo salão, com uma fantasia repleta de luzes e penduricalhos. “É uma mistura de E.T., alienígena, alguma criatura que veio do espaço”, tentaram defini-la.

Mas os universitários Alexandre Raposo e Eduardo Pessoa nem precisaram ir buscar muito longe referências para suas fantasias. Eles recriaram o estilo fashionista dos inimigos da moda Jacques Leclair e Victor Valentim, da novela global Ti-ti-ti. Outros parodiados por muitos jovens foram os garotos do Restart, com direito ao colorido das roupas e o desmantelo nos cabelos. Até a tragédia dos mineiros do Chile foi tema para um grupo de amigos.

E se na plateia estava todo mundo em contágio carnavalesco, no palco não foi diferente. O pessoal da Academia da Berlinda desceu das ladeiras de Olinda cheio de adereços. A banda esquentou bem o público com cumbias e merengues do repertório do novo disco, Olindance. Mas não deixou de lado as músicas do primeiro álbum, como Envernizado e Ivete canivete.

Entre um show e outro, só ficava parado quem queria. Durante os intervalos, a cantora e DJ Catarina Dee Jah comandava as picapes no estande da TV Pernambuco, onde havia uma Rural estacionada, em homenagem ao programa Som da Rural. Mas o ponto alto da noite foi a apresentação d’Os Loucomotivos.

Reunindo músicos competentes de diversas bandas do cenário brasileiro e com o peso de Falcão, de O Rappa, e BNegão, ex-Planet Hemp, nos vocais, o grupo ganhou o público com uma proposta simples: tocar as músicas que mais gostam de seus grupos de origem e de artistas que admiram, no maior clima de pelada musical. O resultado não poderia ser diferente: diversão em cima do palco e na plateia.

A insistência (bem recebida, claro) d’Os Loucomotivos em evocar Chico Science e a Nação Zumbi por diversas vezes durante o show deve ter feito os super-heróis e heroínas mais fieis ao Enquanto Isso se lembrar da apresentação irretocável que os malungos fizeram na prévia do ano passado. Depois, com o meio de campo já preparado pelos Loucomotivos, foi fácil para o Monobloco segurar a fome de gol do público até de manhã.